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As grandes tendências para a agricultura, segundo Stanford

O que o Vale do Silício nos ensina sobre ecossistema de inovação

Estudo feito pela Universidade Stanford identifica as principais tendências para a agricultura nos próximos anos; confira

Por Pedro Romanos

A Universidade Stanford é o berço do Vale do Silício, mas não é só a vocação para a tecnologia que está em seu DNA – a agricultura também.  Hoje uma das instituições de ensino mais badaladas do mundo, ela é fruto do sonho e da realização de um personagem visionário chamado Leland Stanford. Filho de fazendeiro, político (foi governador da Califórnia) e depois ele próprio um dono de terras e criador de cavalos nos EUA, Stanford decidiu fundar a universidade que, décadas mais tarde, seria o centro gravitacional que gerou o principal polo de inovação do mundo  (leia mais sobre as história da criação da universidade aquí).

Mais de 120 depois, Stanford continua com a marca da inovação, que manifesta não só pela formação de empreendedores para o Vale do Silício e outras partes do mundo, mas também por manter o radar o ligado para as tendências que estão transformando a sociedade. E aqui novamente a universidade encontra a agricultura. A instituição divulgou  um estudo que identifica as principais tendências para a agricultura nos próximos anos.

Veja abaixo outros pontos destacados pela pesquisa:

Futuro da comida: Para os professores e cientistas de Stanford, existem dois pontos cruciais na transformação da agricultura: comida e análise de dados. As startups serão peças-chave para girar as engrenagens desse futuro.

O estudo destaca que o maior desafio dos cientistas será encontrar soluções viáveis para garantir alimentação para uma população global que cresce em ritmo acelerado – e isso passa pela agricultura genética. Pesquisadores de Stanford apontam para um aumento no investimento no setor, que foi de US$ 735 milhões em 2017. Em 2013, foram investidos  US$ 57 milhões. “Essa é uma indústria para alimentar o mundo,” diz o professor da escola de administração executiva de Stanford, Haim Medelson. “Todos comemos, são iniciativas como essas que os produtores devem ter para construir o futuro.”

Startups: Outro ponto é o investimento em startups. As empresas de base tecnológica são as principais responsáveis para gerar que as grandes ideias que vão transformar a agricultura. A pesquisa observa que gigantes do setor, como Deere & Co, Blue River Technology e Monsanto, já investiram bilhões na compra de startups.

Análise de dados: é aqui onde entra o principal trabalho das startups, de acordo com a pesquisa realizada por Stanford. Houve um boom de softwares de big data, blockchain e analytics no setor da agricultura. Muitos desses dados prometem trazer benefícios imensos para a área, mas o processo ainda está incompleto. “O problema está na precisão dos dados”, diz Mendelson. Para o professor, existe um conglomerado de dados a serem analisados com maior rigor, já que diversos processos foram automatizados, a exemplo dos tratores não tripulados, drones, e colheitadeiras controladas por computador. As startups estão trabalhando cada vez mais em softwares que ajudem o produtor a entender melhor esses processos, que antes eram manuais. E o que não falta é investimento. De acordo com Mendelson, já são US$ 825 milhões em empresas ligadas ao setor de análise de dados e mais de US$ 400 milhões arrecadados na contratação de serviços.

Inovação de produtos (US$ 4,36 bilhão em investimento): Tecnologia molecular para alimentos é o destaque nessa área. O alto valor em investimento se dá por conta da necessidade de encontrar soluções para o futuro da comida.

Digital marketplaces (US$ 682 milhões em investimento): Os marketplaces são tendência no mundo do agro. O ponto crucial do negócio é a conectividade entre produtor e vendedor, até então impossibilitada por fatores como distância.

Softwares de operação (US$ 129 milhões em investimento): Ajudam os produtores na tomada de decisão e na economia de processos na agricultura.

Softwares de comunicação (menor investimento/ não divulgado): Os sistemas de comunicação são essenciais atualmente em uma fazenda. Comunicar-se de forma eficaz será imprescindível para o agronegócio daqui para frente.

Pesquisas (US$ 755 milhões em investimento): Para sustentar a inovação contínua no setor, o desenvolvimento de pesquisas para o agronegócio é uma  tendência.

Clique aqui ler o estudo na íntegra ( em inglês).