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Aplicativo 99: o que o AgTech pode aprender com o primeiro unicórnio brasileiro

Aplicativo 99 unicórnio

O que o feito histórico do aplicativo 99, avaliado em US$ 1 bilhão, representa para o ecossistema de startups no Brasil? E para o setor AgTech especificamente?

Por Clayton Melo

E eis que o tão esperado unicórnio brasileiro apareceu. A Didi Chuxing, considerada a “Uber chinesa”, assumiu o controle do aplicativo 99,  avaliando a startup nacional em US$ 1 bilhão. Parabéns ao pessoal da 99 e a todos os seus investidores. É um feito e tanto, sem dúvida. Diante desse fato extraordinário, cabe a pergunta: o que isso representa para o ecossistema de startups no Brasil? E para o setor AgTech especificamente? Tem alguma relação? O que as startups agrícolas podem aprender com esse feito histórico?

Algumas coisas que merecem ser analisadas nessa história. A primeira delas é que o ecossistema brasileiro em geral ganha com essa notícia. Ter um unicórnio entre nós, algo tão cobiçado no mundo inteiro, revela o amadurecimento no mercado de startups no País, indicando para as grandes companhias globais de venture capital que aqui o setor pulsa e, aos poucos, vai se estruturando melhor.

Isso é importante porque o Brasil, como sabemos, tem passado uma péssima imagem para o mercado internacional. Instabilidade política, corrupção, recessão econômica… No meio dessa situação toda, não deixa de ser um sinal positivo.

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Para o setor de tecnologia para a agricultura, é igualmente benéfico. As novas empresas de base tecnológica do campo não são criadas no vácuo. Elas nascem dentro de um sistema de investimento intimamente ligado a todo o mercado de venture capital, independentemente do setor.

Estímulo a novos investidores

Outro aspecto interessante é que serve de estímulo ao venture capital nacional, também com efeitos no AgTech. Afinal, um dos pontos em que o Brasil avançou algumas casas nos últimos anos foi na formação de um ecossistema de investimentos, com a chegada players na área de seed money, anjos, aceleradoras, gestoras de investimentos e as grandes companhias de investimentos. Até o poder público começou a prestar mais atenção no assunto.

Neste blog na StartAgro, por exemplo, comentei sobre a democratização dos investimentos e citei o lançamento do Fundo de Coinvestimento Anjo, criado pelo BNDES, destinado a startups com até R$ 1 milhão de faturamento e que possuam negócios inovadores. Pela iniciativa, as empresas selecionadas poderão receber aporte de R$ 500 mil do BNDES, desde que seja em conjunto, na mesma proporção, ao de um investidor-anjo e/ou aceleradora.

Venture capital e o Agtech

O fortalecimento desse sistema tem beneficiado empreendedores de diferentes mercados. Se no começo da onda de investimentos em startups, a partir de 2011 aproximadamente-, os alvos principais eram novas empresas de comércio eletrônico e aplicativos – a 99 foi fundada em 2012 -, os investimentos começaram a se diversificar de uns três para cá, como mostram os exemplos das áreas de finanças, saúde, educação e agricultura.

Sem esse sistema de fomento, com agentes atuando em cada etapa do processo – da fase de incubação, passando pela aceleração até a consolidação de um negócio -, não seria possível que hoje tivéssemos o primeiro unicórnio brasileiro. Assim como também não teria sido possível existir casos espetaculares registrados em 2017, marcos do AgTech brasileiro, como o da Bug Agentes Biológicos, vendida recentemente para a Koppert, e o da Solinftec, uma AgTech de Araçatuba que conseguiu a proeza de atrair o TPG, um dos maiores fundos de investimento do mundo.

O País ainda tem de percorrer um longo caminho até chegar a um ecossistema consolidado – isso sem falar na necessidade de melhorar o ambiente de negócios, o que passa por modernização jurídica e tributária, por exemplo. O importante, no entanto, é que os frutos começam a aparecer. Há um pouco do sonho de cada empreendedor AgTech na conquista histórica da 99.