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É possível ressignificar o sistema alimentar? Conheça quatro foodtechs que prometem fazer isso

Não é novidade que os investimentos em startups vêm crescendo com grandes fluxos de investimentos e não há dúvidas que estão atingindo a maturidade. No entanto, as grandes protagonistas dos últimos anos não vêm do setor digital, mas sim, do setor alimentício. E o destaque são as startups de alimentos inovadores, por serem realmente disruptivas e inovadoras, até mesmo para os mais familiarizados com revoluções tecnológicas. Estas foodtechs como são chamadas as startups do setor alimentício, buscam criar alimentos alternativos, sendo as de maior sucesso, aquelas que utilizam proteínas vegetais para mimetizar as proteínas de origem animal. Porém, não só elas agitam o mercado de startups foodtech, mas também as que buscam novos ingredientes, carnes produzidas in vitro e as de novos métodos alimentares. A grande inovação que estas foodtechs estão trazendo para o mundo, pode gerar um movimento de ressignificação do sistema alimentar atual, com soluções mais sustentáveis e com alta qualidade nutricional.

A equipe Startagro foi a fundo nesse mercado e apresenta a seguir quatro startups que valem a pena ficar de olho:

Protix

Fundada em 2009 por Kees Aarts e Tarique Arsiwalla, a Protix, está localizada na Holanda, e tem como destaque a produção de alimentos alternativos a base de insetos. Destacam-se não apenas na produção de proteína, mas também de lipídios. A empresa ainda produz rações para aves, peixes e outros animais. E nada se perde, pois ainda a startup oferece fertilizantes a base de insetos. Desde sua fundação, a empresa é líder nesse mercado e garantem que seus produtos são a solução para as alergias animais geradas pelas rações convencionais. Prometem ainda, uma grande quantidade de aminoácidos, lipídios e micronutrientes de alta qualidade. Os ambientes de produção são totalmente automatizados, controlados e monitorados para criar quantidades imensas de insetos. Os sistemas de alta tecnologia incorporam inteligência artificial, programas de melhoramento genético e robótica. Com tanta tecnologia embarcada na produção, a startup é capaz de produzir de forma consistente  com a garantia de alta qualidade qualidade. Os empreendedores acreditam que os insetos podem criar um sistema alimentar circular, que economizaria os recursos naturais, normalmente utilizados para obter as fontes de proteínas convencionais, como soja e carne. Recentemente a Protix foi premiada pelo Fórum Econômico Mundial com o prêmio Technology Pioneer e nomeada como a empresa holandesa mais inovadora e de crescimento mais rápido com missão social clara, de acordo com o Erasmus Centre for Entrepreneurship. A startup tem captado US$ 19 milhões para sua expanção internacional. De olho em seus clientes a empresa abraça grandes causas para segurança alimentar e produtos sustentáveis.

Mirai Foods

Esta startup suíça foi fundada em 2019 e cultiva células-tronco de animais em laboratório para a produção de carne de verdade. Não há absolutamente nenhuma modificação genética e a empresa promete desenvolver um produto saudável e totalmente sustentável. A jovem startup, fundada pelos empreendedores Suman kumar Das e Cristoph Mayr, tem como objetivo levar carne cultivada para as massas, garantindo que seja ambientalmente, eticamente e economicamente sustentável. Além disso, os empreendedores garantem que todo o sabor e nutrientes serão como da carne convencional. A tecnologia envolvida no processo permite a economia de cerca de 80% a 90% dos recursos utilizados na produção de carne convencional, além de gerar ganhos significativos em relação a emissões de gases de efeito estufa e eliminar o uso de antibióticos. A Mirai Foods garante que com o avanço da sua tecnologia, seus produtos serão mais baratos do que o que encontramos no mercado hoje em dia em termos de proteína animal. A primeira rodada de testes ao consumidor estão agendadas para o segundo semestre de 2022. Além de todos esses fatores positivos para os consumidores e para o planeta, a Mirai promove um produto totalmente livre de crueldade animal. Inicialmente a Mirai está focada apenas no desenvolvimento de carne bovina in vitro, porém, a promessa é de que sua produção se estenda para todo tipo de proteína animal. Com uma estratégia de mercado bastante definida a empresa planeja ser a marca líder de carne cultivada até 2030. Para isso a startup conta com US$ 2,2 milhões de sua segunda rodada de investimentos, elevando para US$ 4,5 milhões os investimentos totais desde seu início. O recurso será empregado principalmente para o aumento do quadro de funcionários e melhorar a capacidade instalada laboratorial, além da construção de uma planta piloto de produção.

Float Foods

A Float Foods, é uma startup de Cingapura fundada em 2020 pela empresária Vinita Choolani. A empresa tem como objetivo comercializar o OnlyEg, um substituto do ovo a base de plantas. As vantagens do OnlyEg são o nível nutricional e seu tempo de vida útil estendida. O produto à base de leguminosas consegue a partir destas plantas substitutos tanto para a gema quanto para a clara do ovo. O diferencial da Float Foods, é justamente o fato do OnlyEg ter a clara e a gema separados, o que significa que pode ser cozido de diversas maneiras e ser incorporado em diversos pratos. A distinção entre a clara e a gema, coloca a startup à frente de empresas concorrentes, que comercializam seus produtos em forma líquida, limitando a possibilidade de pratos que podem compor. A startup afirma que o OnlyEg irá oferecer a mesma quantidade de proteínas e vitaminas que um ovo de galinha e com sabor semelhante. A startup tem como missão criar um meio mais sustentável de se alimentar, garantindo a autossuficiência e a segurança alimentar. A produção e distribuição mundial iniciará até o ano de 2022. O maior investidor da empresa é a Fundação Tamasek, que não tem fins lucrativos, mas que sabidamente faz parte de um dos maiores fundos de investimentos do mundo.  Mas não para por aí e a startup segue em processo de levantamento de mais investimentos para dar continuidade ao projeto.

Next Gen Food

Criada em 2020, também em Cingapura, a Next Gen Food produz a partir de plantas, proteínas que mimetizam a animal. Recentemente, a empresa colocou no mercado o Tindle, um frango totalmente à base de plantas. Com uma textura e sabor exatamente igual ao do frango convencional, de acordo com a empresa, eles prometem que seu novo produto irá agradar aos mais exigentes chefs. O produto já está disponível em diversos restaurantes da cidade de Cingapura. A startup recebeu recentemente um investimento de 10 milhões de dólares, considerado o recorde mundial para rodada inicial de investimentos no ramo. O recurso levantado foi utilizado para o lançamento do Tindle, que atingiu em cheio o mercado vegano em Cingapura e outras cidades asiáticas. O financiamento também ajudou abrir as operações da empresa nos Estados Unidos e financiou as pesquisas adicionais para desenvolvimento de outros produtos à base de plantas. A Next Gen Food conta com um tempero brasileiro em seu time, sendo um de seus co-fundadores André Menezes, que mora em Cingapura desde 2016. A startup diz não compactuar com o sofrimento animal e por isso sua tecnologia visa a produção de alimentos tão saborosos quanto a carne, buscando se distanciar de um sistema alimentar linear. Para tanto a base é a utilização de plantas para criar alimentos.