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Compra da AgTech Garage pela PwC mostra como a colaboração para a inovação é essencial para o agronegócio brasileiro

A compra do hub de inovação, Agtech Garage, pela gigante na área de prestação serviços, PwC, reforçou a importância que o agronegócio brasileiro representa para o
país. Mesmo em um ambiente de incertezas econômicas que envolvem fatores externos e
internos, as companhias querem “criar valor aos negócios de uma forma jamais vista”, diz
Maurício Moraes, líder global de Agribusiness para a PwC e envolvido na operação.
“Esta aquisição se alinha a nossa estratégia global, que chamamos de A Nova
Equação. Neste movimento, adicionamos novos profissionais com diferentes habilidades
e experiências à nossa comunidade de solvers para levar aos nossos clientes a confiança
e os resultados sustentáveis que eles procuram”, destaca Marco Castro, CEO da PwC Brasil.
Enquanto se preparava para embarcar num voo, José Tomé, sócio-fundador da
Agtech Garage e que continua à frente do hub, e Maurício Moraes, conversaram com a
StartAGRO a respeito da relevância da aquisição para o agronegócio nacional, seus
desafios para 2023 e destacaram como a colaboração para a geração de inovação é de
extrema importância para o agro no país.


StartAGRO: Por que vender a Agtech Garage no auge da companhia?
José Tomé: Não é um M&A (jargão empresarial para fusões e aquisições)
“tradicional”. Apesar das primeiras matérias focarem no comprar e vender, eu vejo como
uma integração. Estávamos crescendo bastante, estamos no auge, sim e vejo muito
potencial de crescer, mas precisamos ter musculatura e nessa hora, temos que ter
humildade e nos perguntar “vamos crescer sozinhos ou podemos nos juntar e
potencializar esse crescimento? Vimos uma sinergia muito grande. Foi olhar e enxergar
que temos um potencial para alcançar, além do impacto que podemos criar. Para isso,
precisamos de robustez e fomos atrás de quem poderia nos ajudar, a PWC enxergou
valor nisso.


StartAGRO: Para quais mercados vocês pretendem expandir com essa
integração?
José Tomé: Isso ainda não está definido. Temos que voltar o olhar para o
fortalecimento dessa sinergia de competências. O Brasil é o centro de expertise agro da
PWC e com esse centro, inserido na Agtech Garage, estamos crescendo. Do ponto de
vista do conceito de inteligência, que tem muita troca de conhecimento, estamos
alcançando essa capilaridade.


StartAGRO: A PwC é conhecida globalmente por ter uma agenda ESG
(Enviromental, Social and Governance) muito forte. Como a integração com a
Agtech Garage pode contribuir para o fortalecimento dessa pauta?
José Tomé: Falar de ESG é abordar inovação e tecnologia. É uma pauta ampla e
nós estávamos nichados no aspecto da inovação, sustentabilidade e tecnologia, então
nossos parceiros precisam ver algo completo, é aí que a PwC entra, para criarmos
soluções completas. É um tema que é destaque com os nossos clientes que buscam
sustentabilidade, então, a PWC tem uma competência gigante para atuar conosco.


StartAGRO: Quem a AgTech Garage quer ser e onde ela quer chegar com
essa integração da PWC?
José Tomé: Agora somos um negócio PwC e vemos um potencial de crescimento
global e soluções completas para os nossos parceiros, esse futuro é junto. Mas para
trazer algo diferente, no curto prazo. As empresas falam muito dos intra empreendedores
e o empreendedor individual, de criar unicórnios, então porque não criar o intra unicórnio?
Acredito que possamos ser, dentro da PwC, esse unicórnio. Temos que olhar o todo e
queremos ser relevantes para a PwC.

StartAGRO: Estamos em um ambiente de incertezas econômicas com conflito
na Ucrânia, aumento da inflação, juros mais altos, restrição de crédito e transição
de governo no Brasil, como você enxerga a Agtech Garage e a PWC nesse cenário
em 2023?
Maurício Moraes: De fato, é um ambiente muito complexo e desafiador para todas
as empresas, mas esse é o nosso trabalho e missão: ajudar nossos clientes a resolverem
situações complexas. Existem desafios, mas há diversas oportunidades em momentos
como esse. Temos que trabalhar bem a estratégia e a execução dela, e com a chegada
da Agtech Garage, ampliamos essa possibilidade de pensar o futuro e trazer o novo em
termos de tecnologia e inovação. Entender o futuro, os movimentos que estão por vir e
capturar as boas ideias para incorporar e transformar isso em diferencial competitivo é
fundamental.


StartAGRO: Vocês estavam analisando outros hubs voltados ao agronegócio
ou a escolha do Agtech Garage teve um componente estratégico?
Maurício Moraes: Estávamos olhando as oportunidades que fizessem sentido com
a nossa estratégia, com os nossos valores, para que pudéssemos agregar e não dividir.
Olhamos inúmeras possibilidades, mas a oportunidade que mais agregou e trouxe uma
certeza de sinergia, de complementaridade, de conexão de valores, de mentalidade de
solvers, foi a Agtech Garage. As coisas evoluíram muito mais rápido e, desde o primeiro
momento, se conectarem rapidamente.


StartAGRO: Quais serviços a PWC quer ampliar e onde ela quer chegar com
isso?
Maurício Moraes: De imediato, queremos ampliar com as soluções que a Agtech
Garage tem com as nossas. Hoje, a gente ouve o cliente, traz para dentro de casa,
organiza as coisas e volta com as ideias. É essa a nossa meta, é o que a gente acredita.
Vamos continuar ouvindo o mercado, procurando soluções e pensando junto com o
cliente, que traz uma demanda e precisa de ajuda para devolver aquilo. A Agtech Garage
continua como Agtech Garage, fazendo o que eles sabem fazer muito bem e o que
acrescenta nesse contexto de PWC é a musculatura e aparato que o hub terá.

Autor

César H.S. Rezende
Jornalista Portal DATAGRO
Repórter freelancer Startagro