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Quando buscar investidor e como evitar o “nós contra eles” nessa relação

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Neto do fundador da Casas Bahia, ex-CEO da Via Varejo e hoje investidor dá dicas valiosas para startups que estão em busca de investidor. Confira o artigo

Qual o momento ideal para buscar um investidor para sua startup? Essa é uma das questões que passam na cabeça de todo empreendedor, seja AgTech, seja de outros mercados. Além dessas, outras tantas preocupações tiram o sono daqueles que montam um negócio e tentam fazê-lo decolar.

É nesse contexto que surgem também alguns obstáculos que atrapalham a relação entre os donos de startups e os investidores.

No artigo abaixo, Raphael Klein, fundador do fundo de investimentos Kviv Ventures, dá dicas valiosas para os empreendedores que se veem diante do dilema entre captar ou não recursos do mercado de venture capital e também esperam manter uma relação saudável com os investidores.

O texto foi publicado originalmente no portal da Endeavor

Klein tem experiência no assunto. Ele é neto do fundador da Casas Bahia, companhia que ajudou no processo de associação com o Ponto Frio, criando a Via Varejo, de onde foi CEO até novembro de 2012. Hoje é investidor e acompanha de perto os desafios dos novos empreendedores.

Confira o artigo.

Empreendedores e investidores precisam sair dos lados opostos da mesa, formando um único time

Por Raphael Klein *
Portal Endeavor

Hoje, quando um empreendedor precisa buscar investimentos, ainda existe a cultura do “nós contra eles”. Mas isso é péssimo, tanto para o investido quanto para o investidor. Precisamos jogar juntos pelo negócio e pelo país.

Imagine um jovem empreendedor brasileiro que tenha uma ideia inovadora.

Primeiro, ele vai atrás da família, dos amigos, e depois de bancos, em busca de recursos para colocar a empresa de pé. Sozinho, sem muito aconselhamento, vai tentando, arduamente, vencer as dificuldades de validar e colocar seu projeto para rodar, quando se dá conta de que o dinheiro não será o bastante. A situação do caixa é desesperadora, ele não tem recursos para pagar seus três ou quatro funcionários, está com uma dívida enorme, em meio aos juros proibitivos do nosso país.

Só então é que ele vai atrás de investimento. O problema é que, nessa situação difícil, o investidor, mesmo sendo um anjo, pode querer uma porcentagem grande do negócio. O que significa que, logo no começo de sua caminhada, o empreendedor poderá ter sua participação diluída demais.

O anjo fica com uma parcela que julga justa pelo risco que está correndo, depois mais para frente, um fundo de Venture Capital tira mais uma boa parcela do bolo. Qual será a motivação do criador da ideia para continuar investindo tempo, suor e lágrimas no crescimento do negócio se ele deixar de ter controle do negócio que ele criou?

Infelizmente, o quadro não é incomum. A indústria de venture capital às vezes é agressiva demais na relação risco/retorno com os empreendedores — o que, dependendo do tamanho do negócio, pode gerar desmotivação e frustração por parte deles, do “outro lado da mesa”. O que boa parte dos investidores não enxerga é que com isso todos perdem.

Aliás, eis aí uma noção que já temos que mudar: a de que existem dois lados da mesa nessa história.

Investidores e empreendedores precisam trabalhar juntos, lado a lado, para criar valor. Ambos precisam se desarmar e buscar a confiança mútua e o fair-play, ingredientes sem os quais é melhor não ter jogo. E agora, a partir da minha experiência nessa relação com empreendedores, quero refletir sobre alguns pontos que considero fundamentais no acesso ao capital.

O empreendedor pode (e deve) captar mais cedo

A questão com os empreendedores jovens chama mais a atenção. A meu ver, o desafio deles de captar é muito mais difícil. Eles enfrentam mais dificuldades porque geralmente acreditam que podem fazer tudo sozinhos, contando somente com a ajuda da família e amigos, com pouca experiência e conhecimento para tocar um negócio.

Além do aspecto financeiro e da dificuldade de estruturação do negócio, o empreendedor tem que acessar gente que pensa diferente e que vão testar a sua ideia exaustivamente.

Recomendo que o empreendedor esteja aberto a receber apoio. Com isso, tem chance de errar menos.

Continue a ler o texto no portal da Endeavor.