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Os próximos anos serão excelentes para as startups brasileiras. Por Pedro Waengertner

Pedro Waengertner, da ACE Startups, fala sobre o Brasil no cenário mundial AgTech

As startups brasileiras têm um futuro promissor. Quem afirma isso é um dos profissionais responsáveis por criar e fomentar o  empreendedorismo digital brasileiro. Pedro Waengertner, CEO da aceleradora ACE (foto), analisa em artigo que a StartAgro publica neste espaço como o ecossistema tem se desenvolvido e por que há motivos pra vislumbrar anos excelentes para as startups.

Com origem no mercado de startups de internet, Pedro atualmente também acompanha de perto o setor AgTech em razão do programa de aceleração Agrostart, desenvlvido pela ACE em parceria com a BASF.

O artigo foi publicado originalmente no Linkedin de Pedro, que autorizou a postagem do material aqui na StartAgro. Confira:

Os próximos anos serão excelentes para as startups brasileiras

Por Pedro Waengertner
CEO da Ace Startups

Eu acredito que os próximos anos serão muito bons para o Empreendedorismo Digital Brasileiro.

Apesar da crise em que o Brasil se encontra há alguns anos, o setor de tecnologia continuou crescendo, mostrando consistência e atraindo cada vez mais talentos nacionais e internacionais.

Quando começamos a ACE, em 2012, praticamente não havia um cenário brasileiro de Startups. Para nós, não fazia sentido o Brasil não estar mais empolgado com as possibilidades. Se boa parte dos M&As históricos Brasileiros vieram do setor de tecnologia e ainda existiam poucas startups que pudessem competir neste cenário, era neste espaço que optamos por entrar.

Desde lá, muita coisa aconteceu. Já tivemos alguns exits, investimentos e milhares de novos negócios foram criados no Brasil inteiro.

Mas o melhor está por vir, na minha opinião. Segue os fatores que, no meu entendimento, vão fazer o ecossistema Brasileiro chegar a outros patamares:

1 – Oferta de Capital – Um dos maiores problemas para startups iniciantes é conseguir capital para crescer em seus primeiros anos, quando tudo ainda é muito incerto. O empreendedor inicia o negócio e acaba falhando sem nem conseguir competir por falta de capital. Quando começamos a atuar no Brasil, praticamente não tinham investidores-anjo profissionais. Hoje são milhares de pessoas se educando e buscando investir nas startups nacionais. A Anjos do Brasil aponta que chegamos perto do Bilhão de reais investidos. Este número vai aumentar muito nos próximos anos. Além disso, temos dezenas de fundos Seed sendo captados neste momento. Quase todo mundo que conheço está captando um fundo. Um quer investir só em Fintech, outro apenas em educação, outro não tem tese definida. O fato é que são muitos! Ou seja, cada vez mais vamos resolver o problema do Vale da Morte (antes de uma série A) no Brasil, aumentando o funil de startups viáveis.

2 – Grandes Empresas com fome de Inovação – As mudanças radicais do mercado, causadas pelo surgimento de novos modelos de negócio viabilizados pela tecnologia e métodos enxutos de gestão fez com que o negócio das grandes empresas nunca estivesse tão ameaçado quanto hoje. Esta ameaça faz com que em todos os boards sejam discutidos programas de inovação, aproximação com startups e afins. Invariavelmente este movimento vai causar uma série de aquisições de startups por grandes empresas. Estas aquisições, variando bastante de tamanho, vão injetar novos investidores-anjo e empreendedores capitalizados e mais capacitados no mercado, criando um circulo virtuoso. Ao mesmo, tempo vão sinalizar aos investidores que Startups são um bom negócio no Brasil.

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Grandes empresas estão em busca de inovação, e esse é um dos fatores que favorecem as startups  

3 – Brasil no radar Internacional – Com investimentos internacionais feitos por grandes fundos em Startups Brasileiras, o Brasil passa a entrar no radar gringo como alvo de investimento e também de aquisições. A LoveMondays, empresa do portfólio da ACE foi comprada pela Glassdoor, player americano, assim como a Fundacity, adquirida pelo Gust. Os analistas do mercado de tecnologia internacionais estão começando a entender que a crise política e econômica que vivemos no país não está necessariamente impactando negativamente o ecossistema empreendedor. Alguns afirmam que é um movimento anticíclico, onde as Startups conseguiram ocupar um espaço, nos últimos anos, que era ocupado pelas grandes empresas de tecnologia. Ao mesmo tempo, várias Startups Brasileiras estudam e começam a dar seus primeiros passos em mercados internacionais, como a America Latina, tornando-se alvos mais atrativos de aquisição por players globais.

4 – Melhores Empreendedores – Com vários empreendedores já estando em seu segundo ou terceiro ciclo empreendedor, o mercado passa a se educar de maneira mais consistente. Os mais experientes tornam-se mentores das empresas iniciantes, também criando um circulo virtuoso. Conceitos que antes estavam restritos ao Vale do Silício, como a criação de uma Máquina de Vendas ou Inbound Marketing para gerar leads estão sendo praticados em escala, com gente muito especializada. Estes empreendedores estão criando empresas mais preparadas, que crescem mais rápido e entram mais facilmente nos radares dos investidores e potenciais compradores.

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Os ecossistemas locais, como Minas Gerais e Santa Catarina, estão se desenvolvendo rapidamente

5 – Ecossistemas Locais se Desenvolvendo Rapidamente – Vários ecossistemas locais, como Minas Gerais e Santa Catarina, por exemplo, estão conseguindo desenvolver um modelo vencedor de fomento local, com reuniões periódicas entre os diversos agentes e empresas campeãs liderando o processo e ajudando as que estão surgindo. Estes clusters estão fazendo surgir startups especializadas e novos investidores localmente. Isto faz com que a área de cobertura empreendedora seja muito maior e viabiliza que empreendedores iniciantes, sem dinheiro para sair da sua região, possam ter acesso a recursos.

Acredito que estes cinco fatores vão fazer com que os próximos anos sejam de grande crescimento no Empreendedorismo Digital Brasileiro. Teremos alguns sub-produtos interessantes, que provavelmente vão surgir deste cenário:

Inflação no Valuation das Startups – Com oferta maior de capital, combinado a um grande volume de investidores ainda inexperientes entrando no mercado, provavelmente veremos o valuation das startups inflar durante suas primeiras etapas de funding, se reajustando em downrounds (rodada com valuations menores do que o anterior) nas séries A ou B.

Maior velocidade de tomada de decisão por parte dos investidores – Devido as leis da oferta e demanda, a tomada de decisão sobre investimento ainda é bastante lenta no Brasil. Somado a isso, ainda existe pouco apetite por modelos mais arriscados. Acredito que veremos deals acontecendo mais rapidamente, juntamente com funding para projetos que normalmente não seriam investidos. Ainda é raro hoje o empreendedor ter mais de uma oferta de investimento e isto se tornará cada vez mais comum, fazendo com que os fundos e grupos de investimento-anjo revejam suas políticas e processos.

Mais aventureiros em busca do dinheiro fácil – Aventureiros e oportunistas sempre vão surgir quando um mercado aquece. Empreendedores terão que ser cada vez mais cuidadosos com quem vão se associar, com o risco de prejudicar o futuro da sua startup. Este é algo natural, que invariavelmente acontece nestes casos. Precisamos ficar atentos.

Estamos vivendo um momento único e tenho certeza que o resultado de tudo isso será excelente para o Brasil.

Quando criamos a ACE, nosso objetivo sempre foi impactar a economia nacional com inovação e ajudar o ecossistema Brasileiro a se desenvolver. Vamos continuar apostando, duplicando e triplicando as apostas. 2016 foi o ano em que mais dinheiro investimos em Startups na nossa história. Bateremos este recorde em 2017 e continuaremos investindo olhando para onde o mercado vai estar.

Nunca foi tão bom ser um empreendedor de Startups no Brasil. E só vai melhorar.

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